LUÍS CARVALHO
Biografia
Luís Miguel Bailão Gomes Carvalho
nasceu em Lisboa, em 1998, tendo sempre vivido em Alenquer. Frequentou o ensino
básico na Escola Pêro de Alenquer até 2012, ano em que ingressou na Escola
Profissional Agrícola Fernando Barros Leal, onde concluiu o curso de Sapador
Florestal, tendo posteriormente completado a sua formação com o curso de Técnico de Produção Agrária, que concluiu
em 2016.
Foi, ainda, no âmbito estudantil
que usufruiu da bolsa da União Europeia do Programa Erasmus+ (através do
Projecto MOINHOS, da Câmara Municipal de Torres Vedras), ao abrigo da qual
desenvolveu experiência de estágio na área agrícola, no Chipre, durante três
meses.
Em 2011 ingressou na Classe de
Trompa de Harmonia, com o maestro Vasco da Cruz Flamino, na Escola de Música da
Sociedade União Musical Alenquerense (SUMA), onde tem desenvolvido actividade
musical até ao presente.
É também neste âmbito que
publica, em 2016, o artigo “Eu e a SUMA”, no jornal local Nova Verdade. Será,
ainda, na SUMA, que tomará contacto com questões de âmbito associativo, integrando os corpos sociais da
mesma, desde 2016.
Motivado desde muito novo para o
exercício da escrita poética, foi em 2015 que decidiu tomar parte no 3.º
Concurso lançado pelo grupo local de promoção da escrita Alencriativos,
ganhando o primeiro prémio, na Categoria Juventude. Mantendo a ligação a este
grupo, continua a participar presentemente nos diversos desafios lançados pelo
mesmo.
Apesar de a sua formação
académica não estar associada ao campo literário, o gosto pela escrita,
nomeadamente pela poesia, levou-o à criação do conjunto de poemas que agora
colige na presente obra.
Alexandra Barros Ventura
Prefácio
“Poesia é um exercício
de humildade, do cotidiano e da valorização das coisas “pequenas”, que são as
que contam.”- Disse Leminski e estou completamente de acordo, ao entrar na
poética intensa, sensível, romântica, social e real deste livro, fui levada
involuntariamente a lembrar-me desta citação, um jovem poeta que me leva
a pensar num Senhor da literatura, não há muito mais a dizer… um promissor
futuro é visualizado nos meus sentidos.
Ler um poema é ouvir uma voz interna, é viver o cenário como
uma realidade, esta é a magia da poesia e feliz o poeta que consegue cativar
assim o leitor. Neste livro Luís Carvalho em poucos poemas conseguiu isso
comigo, leitora. Se não conhecesse o jovem poeta ficaria sua fã com este livro
“Visões Poéticas” nunca imaginaria a idade deste poeta, os seus poemas,
demostram uma maturidade pouco vulgar na juventude, sinal de que o dom poético
vive nele, tem raiz e flor para se expandir no mundo e na literatura.
Difícil é escrever em síntese a
profundidade com que mergulhei ao ler e reler os poemas destas “Visões Poéticas”
o nome que é perfeito para o conjunto de poemas escolhidos pelo autor. Sem
querer intelectualizar as minhas palavras vou explanar as anotações que fui
fazendo ao longo da privilegiada leitura desta obra, na esperança de cativar
para a sua leitura, se bem que seria desnecessário pela grandeza que cada um
vai encontrar para lá do que possa ler no prefácio.
Abrir um livro com impacto é
fundamental e Luís Carvalho faz isso com mestria neste primeiro verso do
primeiro poema do livro “Parei por uns
segundos para olhar o céu”. No poema “Incompleto” o seu desejo de construção num verso
muito criativo “Sinto-me como um grande
prédio inacabado” e na quarta quadra e sua essência de poeta brota nos
melhores adjetivos de tudo o que se sente. “Viagem”
o sonho e o medo conscientes abraçam o perecível mundo que habitamos.
O cotidiano que o poeta Luís
Carvalho vive tão intensamente “Palavras
Soltas” “Dar
muito sem esperar receber,” tão sem
egoísmo, tão humano e sempre positivo” Porque
nunca é demais olhar em frente.” e no final do poema versos de
questionamento das rotinas, numa visão ampla de tudo sem vazios.
Luís
Carvalho não esquece em vários poemas a crítica social, tão importante na
temática poética, não fosse a poesia um meio de levar à reflexão: O poema “Deambulações” “Por entre aristocratas e grandes mentes envaidecidas,” não obstante
a crítica também nos alerta em mais um final dourado “Cabe-nos a nós, fazer o nosso melhor.”.
Fazer
poesia é ter poesia no sangue e na alma, “O
Ser” um retrato da humanidade no Ser forte que habita cada um de nós e o
devemos exercitar, sendo cada Ser também a fragilidade das emoções, Ser é a
individualidade em identidade genuína:
“E é por isso que o vento que se transforma
constantemente,”
É
vento e não é Ser pois ora vem de Sul, ora vem de Norte.”, dois versos
deste poema numa metáfora muito criativa e cheia de identidade poética muito
madura deste poeta.
Um poeta que é um guardador de sentimento que os
sabe extravasar para o nosso pasto em mil imagens marcantes no poema “Pastor de Poemas” .
Esta inspiração construtiva virá das suas
raízes? Da sua terra natal que nos entrega no poema “A minha Terra”, a sua terra que neste poema na voz de um povo envelhecido
e protestante, Luís Carvalho inquieta-se pela crítica que é feita numa
comodidade desconcertante, criticar e nada mudar…
Um cântico à poesia, à liberdade tão fundamental
para a vida e para a arte cultural, um poema de elevada referência do poeta
autor destas “Visões Poéticas” o poema “Liberdade
Poética”. Poeta que anseia
pintar focado no dom de “Querer” para levar os seus leitores a valorizar as
pequenas coisas onde se cresce “Quero fazer com que pintes um quadro também.”
A vida
é feita de encanto e de lágrimas; lágrimas de lembranças que acontecem em
simultâneo com a festividade, no poema “Lágrima”
e quem não tem destas lágrimas guardadas no peito?
E
quando a noite inspira, o poeta despido olha o espelho e o leitor fica exposto
“num rasgo de luz” no poema “A noite que
falece” o escuro no contraste dos luares da existência.
Um
poema tem fundamento quando trespassa a linha do eu, quando eleva as sensações
e grita para despertar a fome do corpo e da alma, um grito subtil ao desgoverno
que vivemos nos nossos dias, no nosso tempo intemporal “No país do faz de conta” um poema forte com um verso final
arrebatador “É a febre dos graúdos, a
incurável febre do milhão.”
Visões
Poéticas são também “Ideologias vagas” que de vagas têm muito pouco, reconhecer o perecível da vida e a
importância dos sonhos. Um poema de marca social muito ténue; estruturada e
fundamentada. A contra-mão da vida num país de “cordeirinhos” onde o poeta Luís
de Carvalho não os quer seguir e alerta-nos para o rumo de outros caminhos,
outros sentidos.
Estas
visões do autor do livro que nos envolvem e nos fazem sentir dentro dos poemas
poderia dar ao poeta a sensação de poder e não acontece isso, ele tem a
perfeita noção da sua condição de humildade e de construção a cada novo verso,
a cada novo dia!
Que poeta não é um ser romântico?
“Nós Dois” o suave romancismo, um
quadro poético pintado das ingénuas e melhores emoções, como são as emoções de
amor. Um poema onde os últimos quatro versos são uma chave de ouro.
“Ah, os teus braços são o meu porto de abrigo.
Minha estrela cintilante, minha lua, meu sol.
Eu era como um barco que pelo mundo navegava perdido.
Até te encontrar e fazer da luz dos teus olhos o meu farol.”
O poeta romântico nunca o seria sem a desilusão e o
desamor; no poema “Tudo o vento levou”
reconhece-se esse sentimento vivido na alma a atravessar toda a emoção.
Maturidade, não, não me cansarei de dizer, a maturidade
está na poética destas visões, maturidade ganha-a no silêncio e em sussurros.
Sabe que é diferente dos demais com um olhar apurado com conhecimento e fé:
“E fosse a minha cabeça só mais um cérebro, e seria tão
melhor o amanhã,
Surgem contudo
questões de tal complexidade que não têm resposta, inquietante.” Versos do
poema “Mais ou menos isto…”
Solidão palavra
tão vivida pelos poetas, tanta solidão numa multiplicidade de burburinhos
inquietantes que este autor nos segreda em mais um despertar social intenso no
poema “Mais vale ser solitário”.
Cabe tudo no coração deste poeta que arrebata o leitor e o “atira ao chão” a
cada poema, obriga o leitor a viajar pela reflexão dele, criando as suas
próprias, consegue isso em cenário de metáforas muito bem imaginadas e
realizadas.
Encerra o livro
com o poema “Vila Presépio” a sua
vila o seu coração vivo, terra que não precisa de estar ou estar nela para a
sentir…que final poderia ser melhor que a raiz a cheirar à terra fresca? Nenhum
outro, é este o final que não termina porque ao ler este livro não ficará por uma
só leitura, é um livro para ler e reler ao longo da nossa vida e encontraremos
sempre novas imagens.
Parabéns! Sei que
daqui a um tempo, não sei quanto tempo, mas sei que será num tempo, eu vou
poder dizer que o poeta Luís Carvalho me deu a honra de escrever o seu primeiro
prefácio e direi: - Eu conheço este Poeta com muito orgulho!
Ana Coelho (Escritora)
Ficha Técnica
D.L. :
ISBN:
Título: “Visões
Poéticas”
Autor: Luís
Carvalho
Foto Capa: Luís Carvalho
Editora: MP Edições
Compositora: Miká Penha
Capa: Miká Penha
Edição: 2017